Cotações
Ver todas

09 de outubro de 2015

Seagri expande cultivo de abacaxi na Chapada Diamantina

cultivo de abacaxi

A região de Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina, que já se destaca pela produção de uvas vinífereas, tomates grape sweet e morangos, pode se transformar também em grande produtora de abacaxi. Esse é o objetivo dos projetos experimentais que estão sendo fomentados pelo governo do Estado, através da Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri), por meio de convênios com os municípios deTapiramutá e Bonito, e com a Associação dos Criadores e Produtores de Morro do Chapéu. “Esperamos alcançar bons resultados e expandir o cultivo do abacaxi para outras regiões da Chapada, aproveitando as condições de clima, solo e localização geográfica”, explica o secretário estadual da Agricultura, Paulo Câmera, lembrando que “a diversificação das atividades agrícolas na região vai proporcionar importante incremento de renda, garantindo a permanência dos produtores no campo”.

A Bahia, de acordo com dados do IBGE/2013, é o sexto produtor nacional de abacaxi, com 104.7 milhões de frutos/ano, em 5.290 mil hectares de área plantada distribuída em 110 municípios em várias regiões do Estado. “Os maiores produtores baianos são os municípios de Itaberaba (41 milhões de frutos/ano) e Umburanas (5,6 milhões de frutos/ano), ambos localizados na Chapada Diamantina”, lembra o coordenador de Estudos e Projetos Agrícolas da Seagri, Marcelo Libório. Ele explica ainda que “a cultura do abacaxi é muito resistente à seca, produzindo bem na faixa de 600 mm a 2.500 mm de chuvas por ano, suportando temperatura mínima de 5 graus e máxima de 43 graus Celsius”.

Marcelo Libório destaca que o projeto de expansão da cultura de abacaxi tem grande importância econômica por ser uma atividade absorvedora de mão-de-obra, contribuindo para a geração de emprego e fixação do homem no campo. O experimento iniciado nas três cidades indica bons resultados. O passo seguinte será reivindicar ao Ministério da Agricultura a inclusão dos municípios no zoneamento do abacaxi, e discutir com os bancos oficiais a abertura de linhas de financiamento para apoiar os produtores.

Diversificação

Localizada no centro norte baiano, o município de Tapiramutá, que no início de sua história teve a economia baseada na caça e abate de antas (tapiras) cuja carne era vendida nas regiões de exploração de diamante, ouro e outros minerais, a exemplo de Jacobina, passou pelo ciclo da banana e do café, e hoje concentra-se na produção de feijão e maracujá. Volta a fortalecer a pecuária de leite e vê na cultura do abacaxi uma nova alternativa de diversificação.

De acordo com o técnico agrícola Edilson Carvalho de Jesus, da secretaria municipal de Agricultura, graças ao convênio com a Seagri, 100 mil mudas de abacaxi foram distribuídas com dez produtores, que iniciaram o plantio em outubro do ano passado, numa área de cinco hectares. “Os primeiros frutos estão sendo formados, mas a primeira colheita deve acontecer em abril do próximo ano”, afirma Adilson. Segundo ele, os bons resultados servirão de estímulos para que outros produtores comecem também a plantar.

Saindo da crise

Depois das perdas que sofreu com a crise no preço do café, sua principal cultura, e com os efeitos da seca prolongada, o município de Bonito também aposta no sucesso do projeto abacaxi, que conta com a participação de 20 produtores. O plantio de 200 mil mudas de abacaxi foi feito em abril deste ano e as plantas apresentam bom desenvolvimento, segundo avalia José Paulo Aragão, técnico agrícola do município que acompanha os produtores. “Essa cultura representa nova possibilidade de diversificação e oportunidade para geração de renda”, avalia.

No município de Morro do Chapéu 300 mil mudas foram destinadas a 40 produtores, das quais 200 mil foram plantadas em várias áreas do município, há dois meses, conforme explica o técnico agrícola e gestor ambiental Samuel Ataide Silveira. “É a primeira plantação de abacaxi que fizemos. O sistema radicular está encaixado e as plantas se desenvolvem bem”, explica Samuel, informando que as demais 100 mil mudas serão plantadas ainda essa semana em área irrigada. A expectativa dele é que o experimento dará resultados e a região terá o mesmo desenvolvimento de Itaberaba, onde o abacaxi é a mola propulsora da economia local.

Desenvolvimento

Limítrofe a Morro do Chapéu, o município de Umburanas já se destaca como grande produtor de abacaxi, atrás apenas de Itaberaba e Itabela. De acordo com Cícero Gomes da Silva, presidente da Cooperativa Agrícola Mista do Estado da Bahia (Cooperbahia), o município já conta com 230 produtores, cuja produção movimenta a economia do município, que conta ainda com a criação de bovinos, caprinos e ovinos, além do sisal que está em alta.

Cícero Gomes destaca que “graças a Deus aqui produzimos durante o ano inteiro, gerando empregos e renda. Nossa meta agora é a implantação de uma agroindústria para agregar valor à produção”.

Fonte: ASCOM Seagri

Comentários